Meu Poeta Mais que Oculto
Onde se perde, no labirinto dos lábios,
uma romã de olhos verdes e andar de colibri?
- Você acredita em cinema?
- Sim.
- Você acredita em poesia?
- Sim.
- Você quer ser uma princesa?
- Aí, depende.
- Você depende do caos?
- Também.
Ela se move na noite dos beijos mais...
e passa, deusa-menina, no lapidário dos ecos
para me dizer que escapou por um triz.
- Você acredita em teatro?
- Mas, é claro que sim!
Ela é o amor que não se deu porque voou
com seus olhos de aurora
e a vida ficou toda aa sua frente, cheia de ninhos
e bosques sensuais, até se perder nas moléculas
inchadas do futuro. Nunca é demais lembrar
mesmo no abismo dos versos
que por ela suspirou o poeta, que por ela
morreu o poeta – quem, mais que tudo, a quis
até queimar-se nas asas do outono.
Ai de mim!, como imaginar que eu poderia
na várzea da cidade insone, imprimir meu nome
e dar dizer colar o meu amor a Beatriz!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
De Beatriz Provasi para Betina Kopp (2009)
a poesia impressa no corpo
a poesia expressa na fala
poesia nas veias
olhos, sorrisos
no coração
a força de mil cavalos
a fome de cem leões
o fogo de dez dragões
e o canto de uma sereia
na sua voz
e ela é só uma menina
bailarina, serpentina
brincando de ser feliz
é uma atriz que esbarrou na poeta e disse:
- desculpa, não vi que você estava aí...
e a poeta já estava nela
poética, com cores vibrantes
corpinturada na sua pele
luminosa nos olhinhos que pedem mais
a poeta rompeu o casulo
borboleta colorida
e saiu voando por aí...
levando a atriz, a bailarina, a menina
a voar mais alto, mais leve, sempre mais...
um dia ainda vejo ela na tevê, na tela do cinema
num close up que faz ver a alma
e vou dizer: que linda! ela é poesia...
ela ainda é a menina que brinca.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
De Mano Melo para Karla Sabah ( 2009)
A RAINHA de SABAH
Nos rituais secretos das luas cheias
Aos sábados,
E domina os sortilégios e as feitiçarias,
Além de outros babados.
Contra todos os meus princípios,
Prometi casamento.
Sonhei com o momento
De vesti-la de véu
E grinalda
(Mas sem fralda).
Apostei no jogo metade por metade,
A Kind of Magic,
Amor Incondicional.
Mesmo que este noivo ateu
Seja eu,
Padre Fábio Melo cantaria a cerimônia,
Padre Marcelo Rossi rezaria a celebração.
Diria sim ao desatino
De ser um lobo bobo na casca do ovo.
Virar a página,
Começar de novo.
Mas ela não me ouviu,
Ela se recusou,
Ela nem me viu.
Se abraçou com o Tavinho Paes
E disse: - É Com Esse Que Eu Vou.
Tomou chá de sumiço e sumiu,
Escafedeu,
Evaporou em arcos iris de Invisíveis Cores.
Só porque é Miss Suéter
E foi capa da playboy,
Ela acha que não dói?
E logo com o Tavinho Paes,
Aquele Grandão?
Isso não se faz.
Haja coração!
Fiquei na pior cantando canções de ausência.
Me fiz um chinês sorrindo amarelo
Pra dissimular o mal secreto,
Assobiando a melodia
De acender luzes
Na escuridão,
Porque na cabeça foi um tremendo apagão.
Minha memória virou uma sargenta de milícias,
Reles sopradora de apito.
Mas enfim, seu Agapito,
Fica o dito pelo não dito.
Pego um barquinho,
Sento com o violão no banquinho,
Faço um Samba De Verão
Chamado Madame Kaos.
Pra curar meus desenganos,
Serei menino de rua pelos próximos 500 anos
De Brasil.
Mas se ela disser Cala A Boca E Me Beija,
I Will
De Karla Sabah para Pedro Lago (2009)
POEMA SECRETO
que sina a minha
ano passado o mesmo nome
mas de pedra, o sobrenome, agora é líquido
meu poeta oculto é um homem lindo
reflexo da lua no mar
vento soprando segredos
cabelos caracóis de histórias
palavra de ator a pulsar
sempre está numa boa
seu sorriso é convidativo
podíamos até dar uma volta na Lagoa
mas acho que é comprometido
banho de mar pede água doce
colírio no olhar quase triste
de James Joyce fez um samba
ele é bamba de pegada firme
fala de Shakespeare como se fosse íntimo
de mitologia grega, Torquato Neto, ou Baudelaire…
Fernando Pessoa, Leminski ou Mário de Sá Carneiro
meu poeta é um grande brasileiro e poeta verdadeiro
na DaConde, Travessa ou Dazibao
meu poeta é figura calma e terna
mas se for preciso mete o pau
no Corujão já é dono do pedaço
na Poesia, não tem ninguém
pra PEDRO LAGO
De Maysa Britto para Ricardo Ruiz (2009)
HIERÓGLIFO
Paulo Leminski
Todas as coisas estão aí
para nos iluminar.
Discípulo pronto,
o mestre aparece,
imediatamente,
sob forma de bicho,
sob a sombra de hino,
sob o vulgo de gente
como num livro, devagar.
Mestre presente,
a gente costuma hesitar,
nem se sabe se o bicho sente
o que sente a gente
quando pára de pensar.
De Fernão Monteiro para Pedro Paz (2009)
CAMINHANTE
Vim ao mundo a passeio
Tive a sorte e o destino certo
de um colo forte e um farto seio
Estou sempre aberto ao que der e vier
Não temo o perigo
o universo
creia
é amigo.
Trabalho o que me basta
pra viver e ser feliz
Não tenho a sola gasta
mas não sou aprendiz.
Não me assusta o desassossego
procuro o caminho do meio
quando eu for não me chorem
pois eu vim ao mundo a passeio.
De Maristela Trindade para Juliana Hollanda ( 2009)
“me dê a mão!
Vamos sair para ver o sol!
O sol...”
Não!
Foi diferente.
Logo percebi ao teu redor,
Luzes que brilhavam em palavras, palavras, soltas palavras ...
LOUCA
MENTE!!!
Dos seus lábios, sorrisos perplexos e
Tal encantamento que embevecia até a lua de
Desejo.
LUA! Poderosa lua!
Foi ela que me soprou para dar-te a mão e convidá-la para dançar até que a própria
LUA,
Se encarregasse do resto!
LUA de Rua! LUA que pinta de branco o chão
E de cores destemidas,
As almas.
E foi assim,
Dançando com teu silêncio reluzente e inebriado,
Que fez-se a magia
Dos ordinários da noite, da qual, muitos de nós
Fazem parte.
A NOITE e suas companheiras.
Nós, os arautos por ela escolhidos
Sob o poder da danada,
Sua voz começou a cometer palavras.
Aqueles pequenos brilhos ao seu redor
Foram enchendo de som o espaço noturno
Em rimas, perfumes e saches de sentimento.
Era você
Juliana,
Que a LUA me cometeu apresentar nas múltiplas
Dimensões daquele lugar
E você brilhou sem pudor nenhum
Frente as estrelas e
Por tantos céus em degelo.
Chegaste ousada a construir um iceberg de beleza!
Palavras duras, delicadas que não se desmancham por nada.
Trabalho feito, parti!
A LUA não aceita anfitriãs eternas
Eventualmente expulsa-as para que saibam dançar
Em qualquer lugar sob a sua égide.
É assim,
Quem se perde de ti?
Quem se perde da magia acatada com toda dor e prazer
De ser
POETA?!
Juliana encantada, iluminada, afoita em cometer delírios lunáticos
Linda,
Mais um POETA aluado com palavras iluminadas do chão
Ao céu, ao sol, ao mar ...!
JULIANA HOLLANDA!
“me dê a mão, vamos sair para ver o sol!!!”
LUA, LUA, LUA!!!
Assinar:
Postagens (Atom)






